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Há menos de duzentos anos não havia escolas de medicina nem de farmácia no Brasil. Quando alguém precisava de tratamento, procurava os boticários ou os hospitais dos jesuítas, que produziam medicamentos com produtos que vinham de Portugal. No fim do século XIX e início do século XX, as farmácias eram bonitas, com armários estilo rococó em madeira de lei. Ostentavam no balcão dois frascos cheios de água colorida de vermelho e azul, como símbolo de estabelecimento de saúde, e todas as receitas de fórmulas manipuladas traziam a sigla clássica FSA, que quer dizer “Faça-se Segundo a Arte”. A farmácia era o ponto de encontro. Todas as tardes, intelectuais, políticos, o juiz, o padre lá se reuniam para discutir a situação da cidade e do país, contar as novidades.
A partir de 1930 as farmácias se espalharam por todo o país. Algumas transformaram laboratórios nos fundos dos estabelecimentos em pequenas indústrias, que passaram a manipular em série fórmulas à base de fitoterápicos, como xaropes elixires, tônicos e pomadas, produtos populares que se enfileiravam nas estantes das primeiras farmácias, com venda livre.
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